Osvaldo Carvalho

Terra Prometida
Curadoria Marisa Flórido

Há alguns anos uma pichação em um muro de Nanterre correu as redes sociais: “Um outro fim do mundo possível”, dizia a frase que nos arremessa à angústia desta época, deste agora tão absoluto quanto suspenso, entre interrogações e cismas. Como fazer o luto de antigas esperanças? De antigos repertórios políticos, éticos, estéticos que não dão mais conta de responder às demandas e iniquidades que nos lancinam a cada dia, a cada minuto, a cada segundo? Onde buscar outros possíveis, outros porvires? Como produzir um acontecimento que ainda não se sabe sequer o que se é? Como fazer o luto das promessas e mitos, de nosso lugar comum no fim dos tempos, de nossa terra sem mal e nossas ilhas perdidas, do paraíso reencontrado? Como fazer o luto das utopias coletivas, do tempo linear e causal da história, da emancipação de nossa humanidade? A comunidade dos homens, essa tão improvável humanidade, nos soa cada vez mais como desejo e quimera, ilusão e espectro…. Como fazer o luto quando o futuro e as invocações redentoras foram substituídos pela compressão do tempo, a ubiquidade do espaço, a gestão das emoções, do medo e do ressentimento? Como fazer o luto até que a sombra que nos engole se converta em outras cintilações? Em outras emancipações? Em outras promessas? Como entender e responder à altura dos levantes que ardem pelo mundo, capitalizadas cada vez mais em distopias e ódios coletivos?

Terra prometida é sobre esse ponto de torção entre a sombra e a fulguração, sobre nossos impasses e insurreições, nossos muros e diásporas, nossos céus e suas quedas. Como pensar as imagens (e a imagem da arte, na arte) que circulam no mundo e nos inundam os dias em uma velocidade vertiginosa? Que guerras se travam entre imagens? Entre imaginários? Osvaldo Carvalho pinta a partir de imagens que lhes chegam das janelas midiáticas, das memórias perdidas, dos sonhos suspensos, dos pesadelos à espreita. Ele as mescla com repertórios imagéticos de fontes diversas: das imagens da arte às do cinema, das HQs a storyboards de filmes que jamais assistiu. A paleta acrílica, explosiva, brilhante, alude aos antigos letreiros e publicidades urbanas, mas também aos cartazes e faixas de agitprop, erguidas pelas multidões insurrectas pelas ruas de um mundo que explode entre gestos de potência e solidão, entre misérias e rebeliões.

Marisa Flórido


 

Paço Imperial
Praça XV de Novembro, 48
Centro - Rio de Janeiro
55 21 2215 2093
 
De terça a domingo, das 12 às 19h
Entrada Franca

Bistrô do Paço
De segunda a sexta, das 11h às 19h30
Sábados, domingos e feriados, das 12h às 19h
 
Restaurante Arlequim
De segunda a sexta, das 10h às 20h
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h