Angelo Venosa

Catilina
Curadoria Daniela Name

ANGELO VENOSA INAUGURA NOVA EXPOSIÇÃO NO PAÇO

Com Catilina, escultura site specific, artista reflete sobre o tempo, a ruína e o poder da criação

Angelo Venosa inaugura Catilina, exposição individual no Paço Imperial, no dia 1 de agosto, quinta-feira, 18h30, dentro do novo bloco de mostras aberto pela instituição. Catilina é composta de uma escultura de grandes dimensões, que se relaciona diretamente com a Sala 13 de Maio do Paço, onde está instalada. O escultor não expunha em uma instituição pública do Rio desde 2012, quando apresentou uma mostra panorâmica no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ).

Com curadoria e texto crítico de Daniela Name, Catilina, escultura e exposição, fazem referência a Lucius Sergius Catilina, militar e senador célebre por ter tentado dar um golpe na República Romana. Cicero criou uma série de discursos, hoje conhecidos como Catilinarias, para atacar Catilina e assim evitar a ruína de Roma. A frase Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra? (algo como “Quão longe você vai abusar da nossa paciência, Catilina?”) é até hoje uma espécie de paradigma para o aprendizado da retórica e parece ecoar na escultura criada por Venosa.

A peça site specific é um esqueleto indefinível que, apoiado em três pernas ou tentáculos, parece se desfazer em areia, como o tempo que se esvai em uma ampulheta. Venosa sempre transitou confortavelmente entre as pequenas esculturas e as obras de grandes dimensões, muitas delas instaladas em lugares públicos. Este é o caso da obra sem título apelidada popularmente de “Baleia”, hoje na orla do Leme, e de Ghabaah, que habita o Museu do Açude, no Alto da Boa Vista. Outra reincidência importante na carreira do artista é a frequência com que realizou trabalhos site specific, caso do projeto Aleph (2000), labirinto ao ar livre criado em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul, e do projeto realizado em um galpão abandonado de São Paulo para o projeto ArteCidade, em 2002.

“Queria me relacionar diretamente com a Sala 13 de Maio, onde o trabalho está instalado no Paço”, diz Venosa. “Imaginei uma peça que fosse máquina e memória. Que deixasse rastro e resto.”

Pesquisadora da obra do artista há anos, Daniela Name assina pela primeira vez a curadoria de uma individual do artista. “Catilina explora um vocabulário recorrente na obra de Venosa. A estrutura de um esqueleto completamente desprovido de carne é revestida com uma pele feita de tecido, dando à carcaça uma estranheza que tanto a aproxima de um fóssil quanto nos leva a enxergá-la como um ser mutante, que ainda pode ganhar vida no futuro”, diz ela. “Essa ambiguidade de tempos e processos é muito forte em Catilina, que nos fala de ruína, de um mundo ameaçado, mas também de gênese, daquilo que ainda pode vir. A areia é um elemento presente em várias narrativas de criação do universo, da Bíblia à cosmogonia africana”.

 

 

Paço Imperial
Praça XV de Novembro, 48
Centro - Rio de Janeiro
55 21 2215 2093
 
De terça a domingo, das 12 às 19h
Entrada Franca

Bistrô do Paço
De segunda a sexta, das 11h às 19h30
Sábados, domingos e feriados, das 12h às 19h
 
Restaurante Arlequim
De segunda a sexta, das 10h às 20h
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h