Amador Perez

Amador Perez DVWC Fotos e Variações
Curadoria Marcia Mello

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A exposição Amador Perez DVWC Fotos e Variações apresenta um novo recorte na obra do artista e tem a fotografia como mote e meio de expressão de sua poética, fortemente marcada pela multiplicidade de técnicas e linguagens desde os anos setenta.

DVWC, fotos e variações, trabalho mais recente de Amador Perez, põe em evidência sua ligação com as reproduções de obras de arte – seu principal campo de pesquisa -, e com as novas tecnologias, frequentemente incorporadas a um arsenal de interesses e habilidades. As fotografias, realizadas com aparelho celular, registram a mão do artista em contato com imagens impressas de obras de Albrecht Dürer, Johannes Vermeer, Jean-Antoine Watteau e Gustave Courbet. Sua retórica poética incorpora, assim, o gesto, traduzido em imagens surpreendentemente impalpáveis e concebe fabulações que oscilam entre o velar e o revelar. No jogo de epidermes, o artista propõe uma fusão de tempos e espaços, num silencioso fluxo amoroso que deflagra suas fantasias, desejos e obsessões. A tensão entre as superfícies – do papel e da pele – acaba por cerzir mundos, aproximando representação e realidade no registro em preto e branco de imagens que se apresentam, ora em versão positiva, ora negativa. A cada narrativa criada no sequenciamento de dezesseis diminutas imagens – e suas variações com intervenções do desenho e cores do processo CMYK versus RGB – ouvimos o sussurrar inaudível de afetos e nos deparamos com sentimentos insuspeitados revelados por algo que não está na aparência das coisas.

No núcleo Memória FotoGráfica, a exposição apresenta, na sala Academia dos Seletos, uma síntese retrospectiva da produção do artista desde os anos 1970, na qual constatamos a coerência do percurso de Amador Perez em quarenta e cinco anos de atividade artística. Apesar dos múltiplos recursos técnicos – desenho em grafite, xerografia, tonergrafia, interferência em imagens impressas de várias procedências com técnicas manuais ou digitais –, identificamos pontos significativos de ligação entre os trabalhos expostos. A fotografia pode iniciar ou finalizar o processo ou, ainda, ser uma etapa entre a ideia e sua forma final. O sequenciamento de imagens aparece de inúmeras maneiras: a imagem-símbolo é decupada, recombinada, ressignificando incessantemente o processo de produção. A saturação ou o apagamento de detalhes, o bosquejar em grafite, o desfoque, a colagem, a incorporação de retículas corroboram a riqueza dos artifícios utilizados por Perez para exprimir suas inquietações e desejos. Seu fazer disciplinado põe continuamente em evidência a curiosidade lapidada de maneira meticulosa curiosidade meticulosamente lapidada, na maior parte das vezes, em suportes de pequeno formato.

A obra de Amador Perez resgata o verdadeiro sentido da arte: transpira, exala, cria memória. Mergulhar em seu universo nos faz descortinar horizontes internos, apontar, desviar, retornar, repor, interferir, reproduzir, imprimir, intervir, e nos perder em vielas de inesperados sonhos realizados.

 

Marcia Mello
Curadora

 

 

Paço Imperial
Praça XV de Novembro, 48
Centro - Rio de Janeiro
55 21 2215 2093
 
De terça a domingo, das 12 às 19h
Entrada Franca

Bistrô do Paço
De segunda a sexta, das 11h às 19h30
Sábados, domingos e feriados, das 12h às 19h
 
Restaurante Arlequim
De segunda a sexta, das 10h às 20h
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h