Tina Velho

Binários
Curadoria Tânia Queiroz

Os trabalhos de Tina Velho nos levam a diferentes tempos, espaços e à memórias que
talvez ainda não tenhamos, mas que podemos pressentir. Por meio de imagens e objetos,
somos conduzidos a lugares que reconhecemos, a céus que já visitamos e a conhecimentos
que nos foram compartilhados em outros tempos. As referências são muitas e a
arte nos possibilita essas leituras que não se esgotam com a imagem, nem tampouco
com o que aí está em presença. O que vemos pode nos indicar muitas outras coisas, que
estão ou estiveram em nós e em nossas vidas de alguma forma e em algum outro momento.
O título da exposição – BINÁRIOS – pode se referir à célula rítmica formada por dois tempos
na música, à classificação de gênero ou sexo, ao sistema de numeração e à computação,
a algo que é composto por dois elementos de informação ou, como prefere a
artista, “aos sistemas binários e multiestelares, que consistem de duas ou mais estrelas
que estão gravitacionalmente ligadas, movendo-se umas em torno das outras em órbitas
estáveis”.
As referências a constelações e às figuras de pessoas, animais ou objetos que os astrônomos
da antiguidade imaginaram ser formadas por elas estão presentes no trabalho
da artista e, de alguma maneira – ora por sua configuração, ora pelo título da obra, ora
por sua projeção – , são identificadas. As constelações, que mudam com o tempo, e que
são sistemas de atração e repulsão presentes no movimento contínuo existente na terra e
no universo, se articulam na exposição com outras figuras, essas de pássaros, que fazem
parte do repertório da artista desde os anos 1980.
Vemos aqui uma pesquisa em processo que não se restringe a procedimentos estabelecidos
ou à determinadas linguagens artísticas. Tina Velho transita por técnicas, meios e
materiais desde os mais tradicionais como a pintura e a litografia até o uso de modernas
tecnologias, como o Star Walk, um aplicativo – guia interativo de astronomia que mostra
objetos celestes nas posições exatas no céu, em tempo real. A captura dessas imagens é
projetada sobre uma pintura realizada com folhas de ouro, considerado o mais nobre dos
metais, o mais durável, que convive nesta exposição com a leveza das penas de pássaros
encontradas e coletadas pela artista, e com esse céu que está em permanente
movimento.
As relíquias – penas, penugens, menções a ninhos e abrigos, a guardados como a caixa
do faqueiro, os potes de cristal, o Agnus Dei que dá nome justo àquela obra que não
retém o céu – nos remetem à importância das memórias e do sentimento de uma certa
permanência no tempo, enquanto que as representações do universo com suas constelações
nos revelam o quanto esse mesmo tempo é inapreensível. Jamais o veremos da
mesma forma, assim como jamais estaremos aqui da mesma forma.

Paço Imperial
Praça XV de Novembro, 48
Centro - Rio de Janeiro
55 21 2215 2093
 
De terça a domingo, das 12 às 19h
Entrada Franca

Bistrô do Paço
De segunda a sexta, das 11h às 19h30
Sábados, domingos e feriados, das 12h às 19h
 
Restaurante Arlequim
De segunda a sexta, das 10h às 20h
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h