Seminário Interdisciplinar: FRANÇA ANTÁRTICA


Organização: Maria Berbara (UERJ),
Renato Menezes (EHESS/Paris)
e Sheila Hue (UERJ)

Em 1555 o almirante francês Nicolas Durand de Villegagnon, subvencionado pelo rei Henrque II, estabeleceu uma base comercial e militar na pequena ilha que, situada no interior da baía de Guanabara, atualmente leva seu nome. A “França Antártica”, como já então ficou conhecida, não teve longa vida; poucos anos depois, em 1560, uma frota portuguesa comandada por Mem de Sá recuperou a ilha e expulsou os últimos franceses que nela permaneciam A fracassada empresa colonial, embora de curta duração, gerou um enorme impacto na Europa. André Thevet, um cosmógrafo franciscano, e Jean de Léry, huguenote borgonhês, viveram – em diferentes períodos – na ilha de Villegagnon, e, ao regressar, publicaram livros ilustrados nos quais relatavam não somente aspectos da fauna, flora e povos que habitavam a região brasileira, mas, também, os violentos confrontos entre católicos e calvinistas franceses. A França Antártica, de certa forma, pode ser compreendida como um microcosmo no qual reverberavam disputas religiosas que, poucos anos depois, banhariam a Europa em sangue. Paralelamente, textos e imagens relativos ao episódio também contribuíram notavelmente para a criação de um imaginário não somente tupinambá ou brasileiro, mas americano, na Europa da segunda metade do século XVI. Esse seminário interdisciplinar pretende abordar distintos aspectos da existência da França Antártica e do seu impacto religioso, ideológico, literário, político e iconográfico na Europa dos séculos XVI e XVII. Tópicos de interesse incluem, mas não se limitam, às seguintes questões:

• Pesquisas acerca das obras de Jean de Léry, André Thevet ou de outros autores vinculados à França Antártica (por exemplo, o panfleto de Pierre Richer contra Villegagnon);
• Estudos sobre a iconografia das viagens relacionadas aos franceses na Guanabara;
• A França Antártica no âmbito dos relatos de viagem quinhentistas;
• Avaliações e revisões historiográficas relativas à França Antártica;
• O impacto da França Antártica na construção do Brasil e do continente americano.

 

9 DE AGOSTO

13:45 – 14:15  Inscrições de ouvintes

14:15 – 14:30  Abertura

14:30 – 15:30 Conferência de abertura | Ronaldo Vainfas – As guerras de religião na França e a ocupação da Guanabara

15:30 – 15:45  Coffee Break

15:45 – 17:45  Mesa 1 – A França Antártica e a Tradição Clássica | Mediação: Sheila Hue

15:45 – 16:15  Maria Berbara – Sobre o Polifemo de Pierre Richer: a França Antártica e o canibalismo do outro

16:15 – 16:45  Marcello Moreira – Locus amoenus, locus horrendus, os indios e a Terra do Brasil em Jéan de Léry

16:45 – 17:15  Luciana Villas Boas – Entre bondade natural e violência inata: pequena genealogia da selvageria na França Antártica

17:15 – 18:00  Debate

 

10 DE AGOSTO

9:30 – 11:00  Mesa 2 – Alteridade I: Europeus e TupinambásMediação: Renato Menezes

9:30 – 10:00  Luiz Fabiano de Freitas Tavares – Maíres, perôs e outras tribos d’além-mar: os europeus vistos pelos tupinambá no século XVI

10:00 – 10:30 René Lommez Gomes – Glabros selvagens em um espelho francês. A construção da imagem dos tupinambás pela reinvenção de antigos conceitos

10:30 – 11:00  Debate

11:00 – 11:30  Coffee Break

11:30 – 13:00  Mesa 3 – Alteridade II: O Conceito do SelvagemMediação: Maria Berbara

11:30 – 12:00  Maya Suemi Lemos – O gentio, o selvagem, o canibal: o Brasil da França Antártica como teatro da diferença

12:00 – 12:30  Renato Menezes – História e memória da França Antártica: um balanço historiográfico

12:30 – 13:00  Debate

13:00 – 14:15

Almoço

14:15 – 15:45  Mesa 4 – A França Antártica e seus Desdobramentos I | Mediação: Sheila Hue

14:15 – 14:45  Paulo Castagna – Descrições da música indígena na França Antártica: da fidelidade à releitura

14:45 – 15:15   Felipe Deveza – Fauna e Flora descrita por Jean de Lery e André Thevet

15:15 – 15:45  Debate

15:45 – 16:00  Coffee Break

16:00 – 17:30  Mesa 5 – A França Antártica e seus Desdobramentos II | Mediação: Maria Berbara

16:00 – 16:30  Paulo Knauss – A história e a nudez do índio: O Araribóia de Antonio Parreiras

16:30 – 17:00  Vera Beatriz Siqueira – Jean de Léry e Paul Claudel: entre dois mundos

17:00 – 17:30  Debate

17:30 – 17:45  Encerramento

 

Paço Imperial
Praça XV de Novembro, 48
Centro - Rio de Janeiro
55 21 2215 2093
 
De terça a domingo, das 12 às 19h
Entrada Franca

Bistrô do Paço
De segunda a sexta, das 11h às 19h30
Sábados, domingos e feriados, das 12h às 19h
 
Restaurante Arlequim
De segunda a sexta, das 10h às 20h
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h