BARRAVENTO
NOVO

Bruce Yonemoto
e Eder Santos

“Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio.”
Heráclito

“Não se entra no mesmo rio duas vezes” é hoje um surrado clichê repetido à exaustão. Para Heráclito, o ato da repetição é algo como uma denominação imprópria, consistindo da volta não do mesmo, mas do diferente – a volta de algo diferente, de outra coisa. Portanto, pareceria de fato não haver volta… Pois duas “coisas” nunca são idênticas ou exatamente iguais.[1]

Esta instalação utiliza diversas estratégias de conceitualização. A obra, para usar a linguagem da Internacional Situacionista, pode ser descrita livremente como um détournement de uma obra anterior. 

Uma obra “desviada”, como no détournement, é uma variação de uma obra anterior conhecida do público. A nova obra tem um significado que pode ser antagônico ou antitético em relação ao trabalho original, mas é sempre uma revalorização da obra anterior para que a oposição da nova mensagem possa ser compreendida.

Acreditamos que esta instalação será um détournement do Barravento de Rocha, criando uma revalorização contemporânea e positiva do original. O novo elenco escolhido para o papel de pai e filha desenvolve uma nova interpretação sociopsicanalítica do filme original do Cinema Novo. Devido à idade avançada de Antonio Pitanga, esta documentação será também uma homenagem histórica à sua contribuição para o cinema brasileiro e para a representação dos afro-brasileiros no cinema internacional. 

A instalação também trata da evolução da qualidade do cinema de filme analógico a gravação digital. As duas telas criam um diálogo de proporções cinemáticas, expressando também o impacto da gravação digital no desempenho.

A instalação Barravento NOVO repete, mas com uma diferença. Ao debater a materialidade do filme em contraste com a gravação digital e a força que ainda têm os textos de Glauber escritos há mais de meio século, esperamos abrir novos caminhos críticos.

[1] Bruce Fink, ‘The Real Cause of Repetition’, in Reading Seminar XI, Feldstein et al, eds. (New York: SUNY Press, 1995), 223.

Paço Imperial
Praça XV de Novembro, 48
Centro - Rio de Janeiro
55 21 2215 2093
 
De terça a domingo, das 12 às 19h
Entrada Franca

Bistrô do Paço
De segunda a sexta, das 11h às 19h30
Sábados, domingos e feriados, das 12h às 19h
 
Restaurante Arlequim
De segunda a sexta, das 10h às 20h
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h