AUTOPOESE

Alexandre Dacosta

O artista visual, cineasta, compositor, músico, ator e poeta Alexandre Dacosta, apresenta seu trabalho de poesia visual em exposição no Paço Imperial. São poemas-objeto e poesias gráficas inéditas que fazem parte de seu novo livro intitulado autopoese, que será lançado em forma de E-Book pela editora Lacre no dia da inauguração – 14 de dezembro de 2017, às 18:30hs – e permanece por 3 meses, até o dia 25 de fevereiro de 2018. 

Esta mostra conta com 30 obras tridimensionais e 7 vídeos poéticos- experimentais de curta duração que serão exibidos permanentemente na sala de exposição. Os materiais usados pelo artista são os mais variados, por exemplo: “Rãdiografia”, uma caixa de luz de médico com o raio-x de uma rã com o poema: “a rã coaxa ao rés do brejo parco/acha que chá de sumiço é mergulho no charco” – “Basculante”, uma janela com palavras e signos geométricos aplicados sobre o vidro do objeto, resultando em uma conceitual “poesia-paisagem” – “Furor”, um alvo de tiro de 70 centímetros de diâmetro em que as letras que formam, Furor e Fulgor, aparecem como marcas de tiro – “Achaque”, uma pedra de granito com o poema esculpido como numa lápide – “Atrorretrato”, um porta-retrato digital com 16 fotos 3 X 4 do artista de várias épocas, que se sucedem com versos, formando um poema-confissão: “se meu atro dentro incomoda/a sombra do outro me acomoda. “Vi…Aturas?”, uma traseira de carro com a frase composta de diversas letras de marcas automotivas: “Toda Via Atura Milhas e Marcas de Supérfluas Viaturas”. Placas antigas de preço com letras aplicadas são utilizadas como poesia visual e também pequenas placas de aviso com dizeres inusitados estarão distribuídas pelo espaço. E grandes ampliações gráficas em chapas de acrílico transparente, com textos inseridos em diagramas, fluxogramas e em divertidos desenhos técnicos de aparelhos eletrônicos e maquinários diversos. 

Alexandre escreve na introdução do seu E-book: “Alguns poemas-objeto não comportam textos, frases, palavras, apenas uma estranha fisionomia, que à primeira vista, pode deixar o expectorante espectador em sentido de interrogação. A chave está no título, que deflagra a fagulha da ignição e liga a engrenagem do motor de uma forma diversa do olhar. (…) “Página a página, com a materialidade física dos poemas-objeto e a impalpabilidade das poesias gráficas, procuro criar um vínculo intrapessoal de incursão do leitor em um espaço cósmico cômico onde o requintado adorno do humor se insere de maneira a particularizar o campo focal: vista aérea de um amplo mapa que representa um autoterritório, um autoplaneta, um autouniverso, uma área útil de sensível exploração filosófica do pensamento”.

O poeta e crítico de arte Ferreira Gullar definiu o trabalho de Alexandre Dacosta em edição do jornal A Folha de São Paulo em 6 de janeiro de 2013: “São criações de gratificante originalidade, em que o artista mescla objetos, cores, palavras e signos visuais, postos todos a serviço de um senso de humor que explora o nonsense. Ao contrário de outros artistas que tentam impor-se pelo gigantismo das obras, Alexandre inventa pequenos objetos, à vezes ‘máquinas inúteis’, à La Picabia. (…) Ele define seus objetos como “inutensílios capazes de deslocar a percepção para uma invertida reflexão do cotidiano”. Trata-se de uma das manifestações mais inteligentes e criativas dentre as que vi ultimamente nesse gênero de arte”.

Alexandre Dacosta (Rio de Janeiro – 1959). Professor do Curso Fundamentação na Escola de Artes Visuais do Parque Lage / RJ (2011-2016). Realizou 16 exposições individuais, RJ/SP e Montevideo – Uruguay, e mais de 90 coletivas no Brasil e no exterior. Recebeu 2 prêmios de pintura: IBEU (1985) e Secretária de Cultura no XVIII Salão de Belo Horizonte MG (1986). Em 1981 cria com Ricardo Basbaum a “Dupla Especializada” e dois anos depois o Grupo 6 Mãos, com Basbaum e Barrão. Integra o Grupo 8 Pés, que vestidos de garçons, fazem intervenções em vernissages. Como cantor, músico e compositor produziu o álbum “Antimatéria” (2017) com 13 canções autorais que estão nas plataformas digitais de música e o CD Livro ADJETOS (2011) com 18 canções para esculturas/objetos, além de fazer trilhas sonoras para filmes e peças de teatro. Criou com sua mulher Lucília de Assis a dupla performática de cantores e compositores “Claymara Borges e Heurico Fidélis” e gravou os CDs “Cascata de Sucessos/1992 Leblon Records e “Pirata Ao Vivo”/2003. Como diretor e roteirista produziu 14 filmes de curta-metragem – 6 ficções, 3 documentários, 5 experimentais – tendo ganho 11 prêmios em festivais. Como ator, participou de mais de 40 filmes, 17 peças de teatro e musicais, diversos seriados, minisséries e novelas. Como poeta lançou em 2011 o livro [tecnopoética] Editora 7 Letras, desde 2015 produz arte sonora com a “Rádio Varejo” e com Alexandre Guarnieri cria em 2012 o espetáculo vídeo-poético-musical [versos alexandrinos]. Participa também de revistas, antologias, saraus e colabora com áudios de poesias em programas de rádio.

Paço Imperial
Praça XV de Novembro, 48
Centro - Rio de Janeiro
55 21 2215 2093
 
De terça a domingo, das 12 às 19h
Entrada Franca

Bistrô do Paço
De segunda a sexta, das 11h às 19h30
Sábados, domingos e feriados, das 12h às 19h
 
Restaurante Arlequim
De segunda a sexta, das 10h às 20h
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h